PublicidadeDelegado José Luna Pinto alerta a sociedade alagoana para exigir o ressarcimento dos R$ 280 milhões roubados da Assembléia Legislativa
FERNANDO ARAUJO - faraujofilho@yahoo.com.br
A Receita Federal não abre mão de receber os R$ 3 milhões (valores não atualizados) pagos indevidamente aos deputados e seus "laranjas" através de restituições fraudulentas do Imposto de Renda. Mas os R$ 280 mi-lhões desviados pela máfia da Assembléia Legislativa de Alagoas só retornarão aos cofres públicos se houver pressão da sociedade organizada.
O alerta é do delegado federal José Luna Pinto, superintendente da Polícia Federal no Estado. "A sociedade civil tem que ser atuante nesse caso, porque se não houver uma mobilização, os recursos desviados não serão recuperados", adverte o delegado da PF, que também defende a pressão popular para forçar a abertura de processo de cassação de mandatos, por falta de decoro parlamentar, dos deputados envolvidos na rouba-lheira da Assembléia.
Da Redação
Delegado José Luna conclama o alagoano a se mobilizar contra a corrupção e o crime
O novo superintendente da PF não confirma, mas também não descarta a realização de novas operações em Alagoas. Nos bastidores, a expectativa geral é de que a PF fará este ano em Alagoas pelo menos duas operações especiais e cujos alvos seriam o Poder Judiciário e os crimes de pistolagem. A Câmara de Vereadores de Maceió e o Tribunal de Contas do Estado também estariam na mira dos federais.
CHEFE DA QUADRILHA - Para o superintendente José Luna Pinto, o deputado Antônio Albuquerque tenta confundir a opinião pública quando afirma que não pode ser classificadol como chefe da organização criminosa da ALE pelo fato de estar apenas há um ano na Presidência da Assembléia. "Conta fatos não há argumentos", diz o delegado ao lembrar que Albuquerque estava fora da Mesa Diretora da ALE, mas continuava comandando o esquema fraudulento, tanto que nos últimos três anos o deputado movimentou mais de R$ 9 milhões em suas contas bancárias.
"Ele não tem que atacar as instituições (PF e MPF), mas sim a conduta irregular que por ventura houve", disse Luna ao Extra, em sua primeira entrevista de 2008. "Será que a Receita Federal, o Coaf, Ministério Público Federal e a desembargadora federal Amanda Lucena estão todos errados?" indaga o delegado, para concluir: "Ele e todos aqueles que têm desvio de conduta estão seriamente comprometidos. Isso é uma causa que deixa a todos indignados, mas um dos problemas é que aqui em Alagoas não há uma mobilização popular".
O delegado José Luna não tem dúvidas de que o processo contra a máfia da Assembléia é consistente e que a Justiça encontrará elementos suficientes para condenar os envolvidos no desvio de cerca de R$ 280 milhões da folha do le-gislativo estadual. "O fato é que essa folha de pagamento não condiz com a realidade da Assembléia e tudo o que foi apurado no inquérito segue para investigação na justiça federal. Na casa da ex-mulher de um deputado foram encontrados dezenas de cheques em nome de laranjas e fantasmas. São provas substanciais da atuação da quadrilha", disse o superintendente da PF.
Acusados querem anular trabalho da Operação Taturana
Os deputados indiciados por formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, peculato e outros crimes prescritos no Código Penal, já contrataram, a preço de ouro, as me-lhores bancas de advocacia do país para tentar escapar da justiça. Eles contam com a possibilidade de anular o processo por erro formal e acreditam que se livrarão da cadeia.
É que alguns advogados venderam a idéia de que todas as ações rea-lizadas pela Operação Taturana serão anuladas no Superior Tribunal de Justiças (STJ) porque a desembargadora federal Amanda Lucena, do Tribunal Regional Federal da 5ª Região, na condição de substituta do titular, que estava der férias, não poderia decretar prisões nem determinar busca e apreensões de bens dos acusados. "Para isso - alegam os causídicos - a desembargadora precisava de um prazo mínimo de 30 dias no cargo, o que não ocorreu".
Mas o delegado José Luna Pinto não acredita nessa hipótese. "Falar que a PF está errada em investigar; tem de parar tudo e deixar a bandalheira como está, seria um absurdo", disse ao destacar o papel constitucional da Polícia Federal em defesa dos bens e dos interesses da União. "Toda ação da PF foi juridicamente correta e mais que isto, eu entendo que ela foi politicamente correta. O deputado tem que defender o direito do pov, mas o se ele desvia desse rumo está errado".
O delegado admite que na esfera do direito tudo é possível, mas ele não acredito que isso venha a acontecer. "Até porque quando um desembargador assume no lugar de outro passa a ter plenos poderes", enfatiza.
O delegado Luna Pinto também desmentiu as versões de que o assassinato do vereador Fernando Aldo Brandão, de Delmiro Gouveia, só foi esclarecido graças a atuação da PF, que teria monitorado conversas telefônicas entre o deputado Cícero Ferro - acusado de ser o mandante do crime - e os executores do vereador. "Esse caso não tem nenhuma ligação com a Operação Taturana. O mérito é todo da Polícia Civil. A Operação Taturana ajudou no sentido de dar força aos colegas de Alagoas. Modéstia à parte, somos o carro-chefe dessas ações especiais e por sermos uma instituição séria servimos de exemplo para os outros", garante.
Que avaliação o senhor faz sobre o papel da imprensa alagoana nesse episódio da Assembléia Legislativa?
Desculpa a minha ignorância sobre a política de Alagoas, pois só tem um mês que estou aqui, e ainda assim já viajei duas vezes, mas eu gostei muito do Jornal Extra porque ele é muito contundente em tudo que diz. Se vocês disserem um dia que a PF errou, nós vamos aceitar, vamos assimilar a pancada porque entendo que o objetivo do Extra é informar, e nessa condição contem sempre com a nossa instituição.
Que mensagem o senhor manda para os alagoanos, nesse início de ano?
Lembraria aos alagoanos o princípio constitucional de que todo poder emana do povo e em seu nome é exercido. Isso é antigo, mas também é vivo, é atual. O povo tem que saber do di-reito dele. Então a mensagem que eu deixo é que o povo é quem tem o poder e quem exerce esse poder em nome desse mesmo povo nome do povo, tem de ser cobrado. E por mais humilde que uma pessoa seja ela tem o direito de cobrar e tem que haver uma mobilização da sociedade civil".
Alex - 26.02.2008 - 01:20
é Dr Luna o povo de Alogoas ainda tem medo influenciado pelos diversos anos, seculos, que vivem oprimidos e a merce do Coronelismo... mto bom trabalho Dr Luna
Quero ficar vivo da Silva - 23.01.2008 - 15:42
Nós alagoanos, por medida de segurança e sbrevivencia, não podemos denunciar esta máfia que se instalou em alagoas, pois se denunciarmos, seremos fuzilados em via pública, isso aqui virou território sem lei, cadeia aqui só existe pra pobre, lamentavelmente logo, logo vamos presenciar centenas de fuzilamentos de inocentes, pois o período eleitoral se aproxima e quem não rezar pela cartilha deles será morto, e justiça continuará aplaudindo a bandidagem politica.
SANDES NA ATIVA - 19.01.2008 - 22:09
POVO ACORDA QUE AS COISAS MUDAM E A CUT VAI CATAR COQUINHO EM MURICI...
Alagoano cansado - 15.01.2008 - 00:46
Os SINDICATOS bem que poderia se juntarem e coouperar com a PF ,MPF, pois eles sabem muita coisa em relaçoes as prefeituras, principalmente em relação ao FUNDEB.Desvio de dinheiro e muito.
slva - 09.01.2008 - 10:17
Tenho a impressão que a CUT pensa que PF é "PRATO FEITO" (de feijoada, café da manhã etc.... ), por isso não se manifesta
Irineu Gomes - 08.01.2008 - 16:57
Concordo com TRITE ALAGOAS, pois senhor Dr. Luna, daqui alguns meses ou dias o senhor vai ser transferido para outro estado e nós vamos continuar aqui. Ja que o senhor quer a gente se mobilizando, dê uma noticia verdadeira e corajosa aos alagoanos dizendo: DIGA AO POVO QUE FICO (em alagoas para morar e viver até morrer)! Aí sim, vamos todos(com o senhor) mostrar que queremos justiça e mudança desses deputados, caso contrário, TCHAUUUU!
Triste Alagoas - 08.01.2008 - 15:28
Ao Dr. Luna.
A autoridade da "bala" funciona em Alagoas, ainda. Para nós, seres mortais, irmos de corpo aberto enfrentar Antonio Albuquerque e sua máfia, é encomendar a cor do caixão.
Poderíamos, enquanto alagoanos, população sem policiamento, apoiar os setores organizados da sociedade.
Assim queriamos que a OAB, sem Omar Coelho, que já provou estar abanando AA, se manifestasse, diariamente, para não haver esquecimento.
Será que a CUT não combate a corrupção, ou só sabe fazer feijoada?
Lamentávelmente, somente torcemos para que a PF faça várias operações.