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20/01/2012 • atualizado às 12:05

Calote legal

Brasil será julgado na OEA por falta de pagamento de precatórios

Caso é de servidores municipais que reclamam complemento salarial. Para OEA, não há na lei brasileira meios para assegurar o pagamento

       
Brasil será julgado na OEA por falta de pagamento de precatórios

Ministro Ayres Britto é relator de ações contra a PEC do Calote Foto: Carlos Humberto/SCO/STF

A Organização dos Estados Americanos (OEA) aceitou uma denúncia contra o governo brasileiro e vai julgar se a União viola os direitos humanos com a demora no pagamento dos precatórios, que são dívidas públicas resultantes de condenações judiciais.

A decisão foi publicada no dia 31 de outubro de 2011 e divulgada nesta quinta (19) pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), uma das entidades que contestou no Supremo a chamada PEC do Calote, que permite o parcelamento dos precatórios de estados, Distrito Federal e municípios em 15 anos.

G1 procurou a Advocacia-Geral da União (AGU), mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem.

A denúncia foi feita à OEA em 2006 por um grupo de funcionários da Prefeitura de Santo André (SP), que conseguiu na Justiça o direito ao pagamento de complementação salarial autorizada em lei.

Os funcionários públicos dizem que ainda não receberam o benefício atrasado, que, segundo eles, deveria ter sido pago até o final de 1999, por determinação da judicial.

A denúncia também ressalta que não havia na Justiça brasileira meios para executar o pagamento dos precatórios.

A Prefeitura de Santo André alegou no processo que os funcionários não poderiam ter recorrido ao órgão internacional porque ainda haveria formas de recorrer à Justiça para reverter a decisão sobre o pagamento.

Apesar das alegações do governo, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), órgão da OEA que analisa esse tipo de caso, considerou que não existem na legislação brasileira “recursos judiciais efetivos para assegurar o pagamento de precatórios devidos pelo estado”.

Com isso, o governo brasileiro será julgado na OEA pela acusação de violar pontos da Convenção Americana de Direitos Humanos que tratam da garantias e da proteção judiciais e do direito à propriedade privada.

Segundo a convenção, toda pessoa tem direito a ser ouvida, com as devidas garantias e dentro de um prazo razoável, por um juiz ou tribunal competente, para que se determinem seus direitos ou obrigações e tem direito também a um recurso simples e rápido, perante os juízes ou tribunais competentes, para se proteger contra atos que violem direitos fundamentais.

‘Calote’

Tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF) quatro ações contra a Emenda Constitucional nº 62, editada em 2009, que ficou conhecida como PEC do Calote por permitir o parcelamento dos precatórios dos estados, Distrito Federal e municípios em 15 anos.

A emenda também alterou a forma de correção monetária desses títulos, permitiu formas de compensação e reservou percentuais mínimos nos orçamentos dos municípios (entre 1% e 1,5%) e dos estados (entre 1,5% e 2%) para quitar as dívidas.

Em outubro do ano passado, dias antes da decisão da OEA, o relator das ações no STF, ministro Ayres Britto, defendeu que sejam derrubados os principais pontos da emenda.

Após o voto do relator, o julgamento foi interrompido pelo pedido de vista do ministro Luiz Fux e não tem data para ser retomado. Em junho de 2011, a análise do caso pelo STF já havia sido adiada por falta de quórum.

Para Ayres Britto, o princípio da moralidade administrativa, previsto na Constituição, pressupõe o pagamento das dívidas do Estado. Segundo ele, a emenda significa que os débitos do estados devem ser pagos "quando e como" o governo quiser e revela "falta de compromisso dos governantes com o cumprimento de decisões judiciais".

"No mais das vezes, parece não faltar dinheiro para o pagamento dos precatórios. (...) O Estado reconhece que não cumpriu durante anos as dívidas que deveria pagar e edita uma lei limitando o valor em pequeno percentual de suas receitas, o que força a levar a um leilão em que o objeto a ser arrematado é o próprio direito à execução de sentença transitada em julgada", afirmou o relator.


Débora Santos / G1

Tags: OEA,precatórios,justiça,internacional

Comentários:

arbdSHjwOnqBpDJPM disse em 12/02/2012 as 07:01

Até os msaoriotts e secretários são cargos de nomeação. Isso não faz deles dirigentes do PSD.

ELIEZER DE AZEVEDO FALCÃO disse em 22/01/2012 as 19:32

O BRASIL E EM ESPECIAL ALAGOAS É CAMPEÃO EM IMPUNIDADE, CORRUPÇÃO, OS PIORES ÍNDICES DO I.D.H., ETC.

Zé Roberto disse em 21/01/2012 as 21:19

O advogado Marcos Bernanrdes de Melo deveria ser indcluindo como litisconsorte passivo, bem o José Lins, pois muitos servidores não tem precatórios, existe uma sentença na 17ª Vara Cível de Fazenda Estadual, sentença esta que ele não entrou com a execução, e falam que é precatório. São pessoas gananciosas que fizeram negociatas com empresas que compras os chamados precatórios de alto valor, e quem tem precatórios com valor inferior a R$ 100.000,00 (cem mil reias), até hoje nunca recebeu.Vergonhoso o que fizeram com a fente que temos créditos para receber do Estado, como não foi executada a sentença e o Estado não está nem um pouco preocupado com a ssituação desses servidores.

israel disse em 20/01/2012 as 22:44

Infelizmente nós brasileiros não temos um governo federal que seja livre e independentes dos governos até parece que tem medo dos governadores,eles fazem o que bem quer com os direitos das classes trabalhadoras mas existe um ditado que diz garrancho é que derruba panela´, estamos procurando jeito de calçar nossas bases de apoio com o governo americano e vamos mudar brevemente a história deste corrupto brasil,parece até piada mas é serio vejam o primeiro passo ja foi dado pelos funcionarfios de São paulo e agora vamos juntar forças para irmos diretamente ao gov. americano já que o nosso pais não tem leis de respeito vamos fazer em silencio e breve virá o resultado assim foi em 1964 e,olhem que em 64 ainda não existia o computador.esperem governadores podem rir a vontade e fazer o que quizer mas não se esqueça que o povo não está mais de olhos fechados não afinal estamos em um mundo globalizado se segura wagner principalmente não vamos de peito aberto meter a cara com você vamos devagar assim como osenhor faz v. não vai chegar não mas nós em breve chegaremos nunca é tarde para quem sabe e tem extrategia e você é que bem sabe disso não é?

luiz carlos valões cordeiro disse em 20/01/2012 as 19:16

E ALAGOAS COMO SEMPRE SAI EM PRIMEIRO LUGAR EM CALOTEIRO DESDE OS DESGOVERNOS DE DIVALDO SURUAJY E O FALSO SOCIALISTA RONALDO CALOTE SEMPRE LESSA,E AIMDA UM BANDO PILANTRAS QUEREM COLOCAR O FALSO SOCIALISTA DENOVO NA PREFEITURA?

Manoel O; Leal disse em 20/01/2012 as 17:32

O pagamento dos pregátorios não é pago por falta de interesse dos nossos governantes. Por exemplo, na esfera federal onde há maior número de pessoas
aguardando numa fila quilométrica pagamento, que vem se arrastanto a muitos
anos - sem que nenhum caminho seja percorrido a fim de liberar a verba pra
pagamento do que a justiça determinou. Parece até um desrespeito com a justiça.
O dinheiro existe- todos nós sabemos onde encontra-lo.

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