Notícias
Coluna
JORGE OLIVEIRA
Luna detona a Guarda Municipal
Brasília – Com uma sinceridade desconcertante, o ex-delegado da Polícia Federal, José Pinto de Luna, hoje ocupando o cargo de secretário Municipal de Segurança Comunitária, disse com todas as letras ao blog do Ricardo Mota que a Guarda Municipal está sucateada e que os 850 homens - que recebem em média R$ 3 mil de salários por mês - viraram porteiros de prédios. É a primeira vez que alguém admite a deterioração dessa corporação municipal que não recebe investimentos para se modernizar, cujos integrantes são privilegiados cabos eleitorais de quem está no poder. Luma atribui aos prefeitos, inclusive ao atual, o sucateamento da Guarda Municipal. Com apenas quatro veículos velhos, uma tropa desestimulada e os equipamentos sucateados, o ex-xerife da PF não teve como mostrar sua experiência à frente da GM.
Mas ao criticar administrações passadas, tenta se isentar da responsabilidade de não ter executado um bom trabalho. Diz, por exemplo, que para enfrentar o crime em Maceió a Guarda Municipal teria que andar armada, o que é proibido pela legislação que a criou. Mesmo assim, ele confessa que para liberar o armamento, a Polícia Federal exigiu 650 disparos de cada guarda para considerá-lo apto ao manuseio da arma. A liberação desse arsenal só iria evidentemente aumentar o número de homicídios em Maceió. Despreparados para as funções, sem formação técnica e intelectual no combate ao crime, em pouco tempo muitos desses guardas estariam à serviço do crime organizado, como acontece hoje na banda podre da Polícia Militar.
Imaginem vocês, meus dez leitores, 850 homens armados vigiando Maceió, arrotando poder e arrogância em cada esquina, em cada boteco, em cada multa aplicada e na vigilância de cada movimento social. Uma tragédia sem precedentes na história de Alagoas.O problema da segurança em Maceió, hoje a terceira cidade mais violenta do mundo, não acaba com a entrega de armas aos guardas municipais que facilmente chegariam às mãos dos traficantes como acontece no Rio de Janeiro. Na cabeça do ex-xerife da Polícia Federal essa seria a solução mais simples para quem até hoje não esboçou nenhum projeto para oferecer segurança aos maceioenses.
Ao desabafar, em parte para justificar a sua ineficiência no comando da Guarda Municipal, Pinto de Luna jogou sujeira caseira no ventilador do Cícero Almeida, a seis meses dele deixar a prefeitura, porque agora pretende sair de lá como vítima. Não analisou, porém, os danos causados à sua imagem ao aceitar o cargo de chefe da Guarda Municipal das mãos de um político que ele indiciou quando desbaratou a quadrilha da Assembléia Legislativa que roubava os cofres públicos. A Guarda Municipal, hoje uma corporação incompetente, quando foi criada no governo de Guilherme Palmeira tinha o objetivo de cuidar do patrimônio da cidade. Enquanto Palmeira comandou a prefeitura os objetivos foram alcançados com eficiência e competência. Depois da sua administração, o que se viu foi a transformação desse órgão de segurança numa repartição deteriorada e impregnada de apadrinhados políticos.
Mea culpa
Louve-se, entretanto, o desabafo de Pinto de Luna ao detonar a estrutura da GM. Nunca é tarde para um homem público fazer uma mea-culpa das suas atitudes. E a mais inconsequente delas, como já disse, foi ele ter virado súdito de um rei de trono de louça. Pelo menos agora, os maceioense sabem que pagam R$ 3 mil de salários – quase cinco salários mínimos – para sustentar uma corporação carcomida e contaminada por interferência de políticos corruptos e fisiológicos que a transformaram no maior curral eleitoral de Alagoas.
Vergonha I
Depois que Demóstenes disse que tinha “vergonha na cara”, todos os brasileiros estão andando de máscaras. Na rua, apenas a cara do senador, integrante de uma das maiores organizações criminosas do país, defendida pelo ex-ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos.
Vergonha II
Ex-presidente da OAB, ex-ministro da Justiça, Thomaz Bastos está sendo processado por um procurador do Rio Grande do Sul que pede explicações para os R$ 30 milhões que ele vai receber do Cachoeira, encarcerado em um presídio de Brasília, já que o contraventor está com bens e as contas bancárias bloqueadas. Na verdade, o procurador gaúcho acredita que o dinheiro que chegará às mãos do advogado é da “lavandeira do bicheiro”, o que caracteriza crime.
Vergonha III
Thomaz Bastos vem se notabilizando por defender integrantes do crime organizado no Brasil. O preço dos seus honorários cresceu depois que ele exerceu a função de Ministro da Justiça e passou a ter contatos mais estreitos com os ministros do Supremo Tribunal Federal, quase todos com escritórios em Brasília em nome de terceiros. Como a legislação brasileira não impede esse tipo de assistência jurídica a clientes praticada por um ex-ministro de estado, Bastos nada de braçada defendendo principalmente os criminosos de “colarinhos brancos”, aqueles que desviam dinheiro público ou cometem crimes no mercado financeiro.
Curiosidade
Conselheiro do ex-presidente Lula, o advogado, dono de uma banca paulista, é o mais beneficiado com as trapalhadas do Partido dos Trabalhadores. Nesse momento defende Cachoeira e impediu que ele falasse qualquer coisa à CPMI. No início de agosto vai ocupar a tribuna do STF para defender um dos diretores do BMG, envolvido no mensalão. Curioso é que Thomaz Bastos exercia o cargo de Ministro da Justiça quando ocorreu o episódio do mensalão e ele, como ministro, foi o principal conselheiro jurídico do ex-presidente Lula e de todos os envolvidos no crime, cujo chefe da quadrilha, segundo o STF, foi identificado como sendo Zé Dirceu, ex-ministro chefe do governo e deputado cassado.
Ética
Questionado pela imprensa de como iria receber os honorários de Cachoeira, o ex-ministro disse que “nesses casos costumo receber os honorários de amigos próximos”. Tão zelosa da ética na profissão, a OAB saiu-se em defesa de seu ex-presidente alegando não ser ético questionar os honorários de advogados como se a questão se resumisse em simples pagamento de um serviço qualquer. Como se não tivesse em jogo a defesa do crime organizado que se disseminou no país pelas mãos de Cachoeira e seus asseclas.
Máfia
Certa vez um policial perguntou a um perigoso mafioso siciliano porque ele só contratava advogados caros e notáveis para defendê-lo, a resposta foi imediata: - “Para continuar matando e roubando livremente”. Segundo o mafioso, a organização continuava no crime com a “autorização” legal dos advogados que mantinham bons e promíscuos relacionamentos com a Corte Suprema italiana.
Conselho
O mafioso analisado pelo escritor Mário Puzo, no livro Omertà, aconselhava os amigos a só contratar advogados canalhas. Segundo ele, “os canalhas têm mais facilidade de propor suborno e sugerir vantagens aos ministros falíveis em troca de benefícios aos seus réus mafiosos”. O advogado sério, probo, aquele que leva a profissão a sério, sempre terá mais dificuldade em defender o seu cliente nos tribunais onde menos se pratica é a justiça.
Pressão
O país assiste estarrecido nas últimas semanas, a pressão que o Partido dos Trabalhadores faz sobre os ministros do Supremo Tribunal Federal para adiar e até engavetar o processo que muitos deles respondem pelo crime do mensalão. É que já chegou aos ouvidos de Zé Dirceu, Delúbio Soares e José Genoíno que alguns ministros podem condená-los a penas que chegam a mais de 100 anos para cada um, o que significaria a maior derrocada para um partido que sempre se pautou pela ética e pela honestidade quando esteve na oposição.
Tags: coluna,jorge oliveira
