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16/11/2011 • atualizado às 00:00
Jorge Oliveira
vo carioca desde que foi eleito governador do Rio de Janeiro. Para isso conta com a substancial ajuda da imprensa e de alguns jornalistas de gaveta que carrega a tiracolo quando faz suas viagens para o exterior a pretexto de assinar convênios, segundo ele, para “melhorar a vida do povo do Rio”. A última viagem do governador à Lisboa, divulgada em blog, sites e nas páginas dos jornais amigos, foi hilariante. Cabral viajou à Lisboa para assinar acordo de cooperação entre o Rio e a Carris, a empresa que administra o bondinho na capital do país.
A pergunta que se faz é: como um governador tem a cara de pau de fazer uma viagem internacional para transferir know-how de Portugal para o bondinho de Santa Tereza? A outra pergunta é: como a imprensa do Rio, outrora a mais combativa e vigilante do país, não questiona o governador e o seu séquito sobre a necessidade de uma viagem como essa?
Ora, os bondinhos de Lisboa, como os de Santa Tereza, são um cartão postal da cidade, artes ambulantes que trafegam pelas ruas enchendo os olhos dos turistas de alegria, romantismo e saudosismo. Nem lá nem aqui eles servem como transporte de massa de alta tecnologia que justifiquem os gastos milionários de uma viagem internacional do governador em busca de transferência de conhecimento.
Os bondinhos de Lisboa enfeitam a paisagem da cidade, apenas isso. Carregam apenas turistas em viagens curtas. Surgiram no início do século passado como meio de transporte, mas depois se transformaram em patrimônio cultural. No Brasil - que não preserva sua história - eles existiram até meados da década de 1960, quando então foram substituídos por ônibus. Hoje, apenas algumas cidades ainda adotam o transporte elétrico, a exemplo de Santos e Campinas (SP). Por sorte, o Rio manteve o seu bondinho em Santa Tereza defendido com muita garra por seus moradores. O Brasil já teve 44 sistemas de bondes eléctricos desde que eles chegaram ao país em 1882, no Rio, como primeira experiência da América do Sul. Portanto, o Rio não precisa de tecnologia portuguesa para salvar os bondinhos de Santa Tereza.
Mesmo no caso de um acordo de cooperação entre Lisboa e o Rio, não justificaria a viagem de sua Excelência a Portugal com a bagagem cheia de auxiliares, “consultores” e jornalistas chapas brancas esbanjando o dinheiro público.
Em Lisboa existe um eficiente sistema eléctrico de transporte, opção mais barata para um país que depende do petróleo como sua principal fonte de energia. Aliás, o sistema elétrico de transporte predomina em quase todos os países da Europa, onde trens e metrôs são os principais meio de locomoção da população. Se o governador fosse à Lisboa em busca de tecnologia, certamente não deveria ser para os bondinhos, mas para conhecer o sistema integrado de transporte que poderia tirar o Rio do caos. Quem sabe se isso não iria ajudar o governador a acabar com o sofrimento das milhares de pessoas da Baixada Fluminense que vivem até hoje como pingentes da Central do Brasil?
Como Portugal cultiva os melhores vinhos do mundo, o contribuinte carioca espera que o seu governador e os assessores tenham aproveitado para uma boa degustação dos “douros” e dos “alentejanos”, porque só assim a viagem se justificaria.
Brindemos ao bom gosto de Sua Excelência!
A pergunta que se faz é: como um governador tem a cara de pau de fazer uma viagem internacional para transferir know-how de Portugal para o bondinho de Santa Tereza? A outra pergunta é: como a imprensa do Rio, outrora a mais combativa e vigilante do país, não questiona o governador e o seu séquito sobre a necessidade de uma viagem como essa?
Ora, os bondinhos de Lisboa, como os de Santa Tereza, são um cartão postal da cidade, artes ambulantes que trafegam pelas ruas enchendo os olhos dos turistas de alegria, romantismo e saudosismo. Nem lá nem aqui eles servem como transporte de massa de alta tecnologia que justifiquem os gastos milionários de uma viagem internacional do governador em busca de transferência de conhecimento.
Os bondinhos de Lisboa enfeitam a paisagem da cidade, apenas isso. Carregam apenas turistas em viagens curtas. Surgiram no início do século passado como meio de transporte, mas depois se transformaram em patrimônio cultural. No Brasil - que não preserva sua história - eles existiram até meados da década de 1960, quando então foram substituídos por ônibus. Hoje, apenas algumas cidades ainda adotam o transporte elétrico, a exemplo de Santos e Campinas (SP). Por sorte, o Rio manteve o seu bondinho em Santa Tereza defendido com muita garra por seus moradores. O Brasil já teve 44 sistemas de bondes eléctricos desde que eles chegaram ao país em 1882, no Rio, como primeira experiência da América do Sul. Portanto, o Rio não precisa de tecnologia portuguesa para salvar os bondinhos de Santa Tereza.
Mesmo no caso de um acordo de cooperação entre Lisboa e o Rio, não justificaria a viagem de sua Excelência a Portugal com a bagagem cheia de auxiliares, “consultores” e jornalistas chapas brancas esbanjando o dinheiro público.
Em Lisboa existe um eficiente sistema eléctrico de transporte, opção mais barata para um país que depende do petróleo como sua principal fonte de energia. Aliás, o sistema elétrico de transporte predomina em quase todos os países da Europa, onde trens e metrôs são os principais meio de locomoção da população. Se o governador fosse à Lisboa em busca de tecnologia, certamente não deveria ser para os bondinhos, mas para conhecer o sistema integrado de transporte que poderia tirar o Rio do caos. Quem sabe se isso não iria ajudar o governador a acabar com o sofrimento das milhares de pessoas da Baixada Fluminense que vivem até hoje como pingentes da Central do Brasil?
Como Portugal cultiva os melhores vinhos do mundo, o contribuinte carioca espera que o seu governador e os assessores tenham aproveitado para uma boa degustação dos “douros” e dos “alentejanos”, porque só assim a viagem se justificaria.
Brindemos ao bom gosto de Sua Excelência!
Comentários:
ofyzMouzXCclg
disse em
13/02/2012 as 02:14
o ROCK in RIO e a coisa + foda do mundo e foi a peimrira vez q eu fui saber q existe e eu to amando a CIDADE DO ROCK
