19 de Junho de 2013
Jornal Extra de Alagoas

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29/06/2012 • atualizado às 10:21

Quebra-quebra

Congresso pressiona governo a abrir os cofres públicos

Com a proximidade das eleiçoes, parlamentares admitem que muitos projetos a serem votados são de interesse puramente eleitoreiro

       
Congresso pressiona governo a abrir os cofres públicos

Foto: Reprodução

Em Brasília, os parlamentares também querem dobrar, multiplicar os gastos. O Congresso ameaça votar projetos que colocam em risco o orçamento do governo. Vai chegando a eleição e recomeça a pressão para abrir os cofres públicos.

A presidente Dilma Rousseff alertou que não é hora de brincar à beira do precipício. Agora, que a crise econômica internacional mostra que não dá mesmo para se brincar, o congresso brasileiro coloca uma série de projetos em discussão que, se aprovados, terão um impacto muito grande nas contas públicas. Muitos parlamentares admitem que tais medidas tem como objetivo fazer bonito na próxima eleição.

O governo corre para evitar prejuízos. A Câmara quase aprovou uma proposta para diminuir a carga de trabalho de enfermeiros. Isso obrigaria os hospitais públicos e particulares a gastar até R$ 7 bilhões a mais em contratações.

“Toda e qualquer despesa que não esteja prevista no orçamento, que a gente não tenha condição de fazer crescer neste momento, deve ser evitada”, explicou Ideli Salvatti, ministra de relações institucionais.

Quem colocou o projeto em votação foi o presidente da câmara, que é do PT: “Não é nenhum projeto que tenha impacto financeiro brutal ou que represente qualquer tipo de dificuldade ao país ou à união ou aos estados ou aos municípios” informou o deputado Marco Maia (PT-RS), Presidente da Câmara.

O congresso ainda analisa outras propostas que podem significar mais aumento de gastos. Entre elas, o fim do fator previdenciário, usado hoje para calcular aposentadorias de acordo com o tempo de contribuição, o fim do teto salarial de R$ 26,7 mil para funcionários públicos.

E uma mudança que poderia garantir reajuste de salários para Legislativo e Judiciário sem autorização do palácio do planalto.

O deputado João Dado (PDT-SP), defende a autonomia dos poderes para decidir sobre seus próprios salários: “Hoje, se o judiciário quer aprovar uma proposta ele tem que submetê-la à autorização do executivo. Isso torna o judiciário e o legislativo reféns do executivo”.

Alguns desses projetos são antigos, estão no Congresso há anos. Mas voltaram a ser discutidos agora, às vésperas do recesso parlamentar, e em plena crise econômica internacional.

Nos bastidores, o que se diz é que muitos parlamentares forçam uma negociação. Ameaçam votar assuntos que não interessam ao governo para pressionar pela liberação de emendas e indicação para cargos .

“Não é hora de fazer enfrentamento ou de fazer barganha em troca de interesses partidários ou de interesses de cargos ou fisiologia qualquer”, disse a senadora Ana Amélia (PDT-RS).

Para o economista Vander Mendes, a aprovação desses projetos pode representar um risco para o caixa do governo: “Se você tiver essas pressões vindas do congresso com esses projetos que só geram gastos, só geram despesas para o governo , não tem nenhum impacto positivo em termos de crescimento, o governo só tem a perder se esses projetos forem adiante”.

Economistas lembram ainda que os parlamentares deveriam olhar a situação da Europa. Lá, gastaram demais e agora estão com dificuldades para administrar o que fizeram sem pensar.

A Presidente Dilma Rousseff usou interlocutores para mandar um recado para a base aliada. Mandou avisar que quem é governo não pode jogar para a platéia.


G1, Bom dia Brasil

Tags: Congresso,pressão,governo,abertura,cofres públicos,Brasil

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