18 de Junho de 2013
Jornal Extra de Alagoas

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21/07/2012 • atualizado às 15:10 por Fabiano Costa

Julgamento

Defesa de Jefferson indagará por que Lula não foi denunciado no mensalão

Advogado de delator diz que vai 'para a briga' com PGR em julgamento. Segundo ele, ex-presidente deveria ser responsabilizado pelo esquema

Na tentativa de absolver o delator do mensalão, o advogado do ex-deputadoRoberto Jefferson, Luiz Francisco Corrêa Barbosa, delineou uma estratégia de confronto com a Procuradoria-Geral da República (PGR). O defensor pretende questionar no púlpito do plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) por qual motivo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não integra o rol de denunciados.

Presidente nacional do PTB, Jefferson é um dos 38 réus no julgamento programado para se iniciar no próximo dia 2. Ele é acusado pela PGR de corrupção passiva e lavagem de dinheiro por, supostamente, ter recebido R$ 4 milhões do ‘chamado "valerioduto", que, segundo a denúncia da Procuradoria-Geral da República, era operado por Marcos Valério e abastecia parlamentares aliados ao governo.

Em 2005, em entrevista ao jornal "Folha de S.Paulo", Jefferson relatou o "modus operandi" do mensalão, detonando o maior escândalo político do governo Lula (2003-2010).

O advogado do ex-deputado, cassado em 2005, pretende sustentar diante dos 11 ministros do STF que, mesmo que Lula não tivesse conhecimento sobre o suposto pagamento de propina a parlamentares em troca de apoio político no Congresso, ele deveria ter sido responsabilizado criminalmente pela existência do mensalão.

Na ótica de Barbosa, juiz aposentado, com laços políticos com o PTB, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, teria se “omitido” de denunciar Lula em suas alegações finais.“

"Vou chamar o procurador-geral da República para a briga. Lula não poderia ter ficado de fora (da denúncia da PGR), mas ele tem vários zagueiros eficientes"”, ironizou Barbosa.

A tática de defesa foi costurada com o próprio Jefferson, que, além de político, é advogado criminalista. Embora considere que Lula seja “inocente”, o presidente do PTB condena o fato de o ex-presidente ter sido alijado da denúncia.

“"Tenho para mim que Lula é inocente. No entanto, quem faz ato de ofício não é o governo, é o presidente. Os ministros denunciados (José Dirceu, Anderson Adauto e Luiz Gushiken) não eram presidentes, eram auxiliares do governo. [...] O procurador-geral da República diz que o governo foi beneficiado. O governo era o Lula, não o Zé Dirceu"”, afirmou Jefferson ao G1.

Sustentação oral
Mesmo com direito a se manifestar por até uma hora na sustentação oral, prevista para 10 de agosto, o advogado de Roberto Jefferson afirma que não usará mais que 20 minutos do tempo.

Além de disparar contra Lula e Gurgel durante sua defesa em plenário, Barbosa disse que irá argumentar que não há “crime imputado” ao presidente nacional do PTB. A mesma tese foi reafirmada pelo defensor, que mantém bancas de advocacia em três Estados e no Distrito Federal, tanto na defesa prévia quanto nas alegações finais entregues ao Supremo.

Jefferson é acusado pelo Ministério Público de ter recebido do PT R$ 4 milhões que teriam sido obtidos por meio da organização criminosa” supostamente capitaneada pelo ex-chefe da Casa Civil José Dirceu.

Segundo os procuradores da República, a cifra teria sido desviada da administração pública com aval da cúpula petista para comprar votos de parlamentares em favor de projetos de interesse do governo, entre os quais a reforma da Previdência Social.

O advogado de Jefferson alegou aos magistrados que as denúncias da PGR contra seu cliente seriam “destituídas de "fundamento fático"”, na medida em que o PTB apoiou Lula desde o segundo turno das eleições de 2002, que culminou com a vitória do petista.

Segundo Barbosa, à época em que teria ocorrido o suposto mensalão, a sigla comandada por Jefferson engrossava a base aliada de Lula, tendo, inclusive, sido contemplada com o Ministério do Turismo.

Na versão da defesa de Jefferson, os R$ 4 milhões que os dirigentes do PT entregaram a ele seriam apenas parte de um acordo político entre as duas legendas para as eleições municipais de 2004. O montante final, afirma o próprio Jefferson, somaria R$ 20 milhões.

Apesar de denunciante do mensalão, Jefferson afirmou ao G1 que “nunca desconfiou” que o dinheiro repassado pela direção do PT tivesse origem ilícita.

"“Até porque era o PT, o partido mais sério do Brasil. Se desse problema, esperava que viesse pelo uso de caixa dois, um problema contábil. Se os procuradores tivessem afirmado: '‘Roberto Jefferson, você foi denunciado por crime eleitoral por recebimento de recursos não declarados à Justiça Eleitoral’', perfeito, não tinha nem o que falar. Mas corrupção passiva e lavagem de dinheiro, não"”, reclamou o dirigente do PTB.


Do G1, em Brasília

Tags: Defesa,Jefferson,Lula,mensalão,política,Brasil

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Comentários:

marcelo santos disse em 22/07/2012 as 11:36

SEM ESSE DINHEIRO O PT NAO TERIA SUCESSO,TODOS SABEM QUE DEPUTADO NAO SE VEDEM DE GRAÇA,TODO GOVERNO TEM ESSE TIPO DE ISTORIA,UM SUJO QUERER FALAR DOS MAL LAVADOS,ERA PARA UM HOMEM DE BEM TER DENUCIADO,MAS ESSE DEPUTADO NAO TEM MORAL NENHUMA,PORQUE ELE NAO DENUNCIOU A BOMBA QUE LEVOU NA CARA.

PEDRO PEDREIRA disse em 21/07/2012 as 20:49

AH TA ,QUER DIZER QUE ZÉ DIRCEU MONTOU O ESQUEMA SEM AVISAR O CHEFE ? TA BOM, ESTE MENSALÃO VEM DO PSDB,QUE NO GOVERNO FHC MONTOU ESQUEMA PARECIDO COM O SERGIO MOTTA FAZENDO A VEZ DO ZÉ DIRCEU,. TANTO PSDB COMO PT ,SÃO FARINA DO MESMO SACO, SÃO DUAS ENORMES QUADRILHAS VOLTADAS PARA RAPINAR DINHEIRO PUBLICO .

Bento disse em 21/07/2012 as 15:28

Acho perfeitamente louvável a linha de defesa de Jefferson, não é justo, tudo que passou nas barbas de Lula, dizer que não sabia de nada, um cara que tem a língua muito maior que seu corpo, sabe tudo, só não sabe isso e aquela história dos aloprados, onde todos eram seus amigos, seu segurança, seus charrasqueiro e chefe de campanha, como não saber dessas historias, só se for muito leso.

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