19 de Dezembro de 2014
Jornal Extra de Alagoas

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atualizado 03 de Janeiro de 2013 - 11:12

CASO FÁBIO ACIOLI

“Matadores” serão julgados no dia 15; não há mandantes

Depoimento da única testemunha do caso desmente inquérito; Cícero Rafael disse ter sido pressionado para incriminar paulistas e empresário

Foto: Reprodução

ÁBIO ACIOLI

ÁBIO ACIOLI

O juiz Geraldo Amorim, da 9ª Vara Criminal, marcou para o dia 15 de janeiro, o julgamento dos supostos matadores do universitário Fábio Acioli, crime ocorrido em agosto de 2009, quando o estudante foi sequestrado e queimado vivo. Os acusados são Wanderley Nascimento Ferreira e Carlos Eduardo Souza, presos ainda em 2009, após investigações realizadas pelas delegadas Fabiana Leão, Luci Mônica e Rebecca Cordeiro.O terceiro acusado era Cícero Rafael de França, funcionário da prefeitura de Maceió, que após vários meses na cadeia, esperava o julgamento em liberdade. Rafael morreu recentemente vítima de um acidente vascular celebral.  

Apesar da divulgação, pela própria polícia, de nomes de possíveis mandantes do bárbaro assassinato – tido como crime homofóbico – ninguém foi indiciado como autor intelectual. E mais grave: quando ainda estava na prisão, Cícero Rafael denunciou ao jornal Extra ter sido vítima de tortura psicológica para “reconhecer” os presos Wanderley Nascimento Ferreira e Carlos Eduardo Souza como sendo os matadores de Fábio Acioli. Os dois acusados são paulistas, e na época do crime estavam em Alagoas vendendo kits de perfumaria, de porta em porta, à prestação. Dias depois do sequestro e morte do universitário eles foram presos durante uma bebedeira na periferia de Maceió. Como já havia passagem da dupla pela polícia paulistana, a polícia alagoana concluiu tratar-se de pistoleiros.Na prisão, os dois paulistas foram “reconhecidos” por Cícero Rafael como sendo os homens que sequestraram Fábio Acioli. Ao depor na justiça, Rafael confessou que estava em companhia de Fábio no fim da tarde do dia 12 de agosto de 2009 quando foram abordados por dois homens armados. Na ação, os bandidos atiraram em Rafael e levaram o universitário em seu próprio automóvel. Ainda no depoimento, Rafael diz que foi alvejado com um tiro no ombro, e ao cair, simulou estar morto.

E que logo após a fuga dos sequestradores levando Fábio Acioli é que ele sai correndo em busca de ajuda. Cícero Rafael – que também foi indiciado como co-autor do crime - repetiu essa versão para o jornal Extra durante a entrevista em que disse ter sido pressionado na prisão para incriminar não apenas os dois supostos “matadores” de Fábio Acioli, mas também um grande empresário de Maceió, que seria o mandante do crime. “Eu nunca vi esse empresário.

Só o conhecia através de fotos na Gazeta de Alagoas”, disse o servidor ao Extra. Que tipo de pressão o senhor sofreu na prisão? Indagou o Extra na época. “No primeiro interrogatório, ocorrido na Central de Polícia, o delegado Marcílio Barenco me pressionou para “abrir o jogo de qualquer jeito”. As três delegadas apenas perguntaram se no dia do seqüestro eu me encontrava no Bet’os Bar e se eu bebi com o Fábio. Também perguntaram quanto eu recebi do empresário para intermediar o crime (....)”, respondeu. E quando o senhor foi pressionado?   “Dias depois, me pegaram na carceragem da Casa de Custódia, sem a presença de advogado, e me levaram para um local desconhecido onde iniciaram uma sessão de tortura psicológica. Eles queriam que eu confessasse quanto recebi do empresário para levar o Fábio ao local do seqüestro. Também fizeram todo tipo de pressão para eu afirmar que reconhecia os seqüestrados e supostos matadores de Fábio e ameaçaram me jogar no Baldomero no meio de 60 presos para ser estuprado.

Mostraram até cópia de um suposto documento ordenando minha transferência para o presídio. Eu disse que estava disposto a morrer, mas não confessaria o que não sabia. Mas a pressão das delegadas foi tanta que eu decidi  confessar ter reconhecido os supostos seqüestradores só para me livrar de tanto sofrimento. Em seguida, sofri um desmaio e fui atendido pelo Samu. Hoje estou doente e sendo acompanhado por um psicólogo; vivo humilhado, algemado e usando farda de presidiário como se fosse um criminosos”. Devido ao estado de saúde do servidor, a justiça determinou sua soltura e ele passou a responder ao processo em liberdade. Mas a situação se agravou e no dia 20 de novembro últim ele morreu falecer vítima de enfarto fulminante. A entrevista ao Extrra foi publicada no dia 9 de abril de 2010. Com a morte da única testemunha do seqüestro que culminou no bárbaro assassinato do universitário, resta ao Tribunal do Júri absolver os supostos matadores, ou condenar dois trabalhadores inocentes. 


Da redação

Tags: matadores,fabio,aciloly,julgados

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