30 de Agosto de 2014
Jornal Extra de Alagoas

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atualizado 04 de Jun de 2013 - 20:09

EDITORIAL

Nossas vergonhas

Foto: Da Redação

Editorial

Editorial

Alagoas está de volta às manchetes  nacionais como o estado com maior índice de pobreza do país. Os novos números da miséria constam do Índice de Desenvolvimento Familiar (IDF), e colocam Alagoas na rabeira dos demais estados do Nordeste em termos de acesso ao trabalho, desenvolvimento infantil, condições habitacionais e acesso ao conhecimento. Nosso IDF (058) é o menor da região e bota o estado no topo do ranking da miséria social no Nordeste.  

 Vale lembrar que Alagoas já detém o pior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do país, o que nos coloca como líder imbatível em analfabetismo, mortalidade infantil e expectativa de vida. Juntando todas essas desgraças sociais, chegamos ao título de estado mais violento do Brasil. É miséria demais para um estado outrora denominado de “Filé do Nordeste”.   Esses índices deveriam envergonhar a elite econômica alagoana, responsável pela formação de várias gerações de políticos sem nenhum compromisso com o social. Com raríssimas e honrosas exceções, nesse balaio cabem todos os políticos que governaram Alagoas nos últimos 50 anos, incluindo um socialista que prometeu acabar com a “Turma do atraso” e terminou como líder do butim que inviabilizou o Estado. 

Ao longo da história, cada governo consegue ser pior que o antecessor, fato que vale também para o Poder Legislativo, cujos membros evoluíram ao estágio da taturana, espécie de formiga devoradora de folhas. No caso, folhas de pagamento. Além dos desvios milionários de dinheiro público, a Assembleia Legislativa de Alagoas virou antro de criminosos que se acobertam mutuamente para garantir a impunidade. (Leia reportagem na página 7).O Poder Judiciário estadual não chegou a tanto, mas pouco ou quase nada fez para mudar essa triste realidade.  É nesse ambiente de deterioração moral que prosperam as injustiças sociais e afloram a fome, a pobreza e a miséria, trazendo a reboque a violência e o crime.   

Em meados de 1946, Josué de Castro, em seu livro Geografia da Fome, já alertava para o perigo da miséria humana e de outras injustiças sociais: “Denunciei a fome como flagelo fabricado pelos homens, contra outros homens”; “Metade da população brasileira não dorme porque tem fome; a outra metade não dorme porque tem medo de quem está com fome”; “Só há um tipo verdadeiro de desenvolvimento: o desenvolvimento do homem”.Exatos 67 anos depois, os governantes alagoanos ainda não se deram conta do alerta de Josué de Castro. Hoje, metade da população vive na miséria e a outra metade vive enclausurada em suas próprias casas, com medo dos miseráveis. Um exército de miseráveis...  


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